O último condenado à morte em Portugal

Durante muitos meses, os lisboetas pensaram que se tratava de uma onda de suicídios inexplicáveis e macabros: pessoas que se atiravam do topo do aqueduto das Águas Livres.

Quatro mortos numa só família, uma tragédia. Mas afinal, aqueles voos de 65 metros desde o topo das arcadas eram fruto de um crime hediondo.

O assassino: Diogo Alves, mais conhecido como “o Pancada”.

Nascido em Santa Gertrudes, Espanha, em 1810, Diogo Alves veio viver para Lisboa quando ainda era criança. Os crimes que cometeu entre 1836 e 1839, supostamente instigado pela companheira Gertrudes Maria (que lhe exigia dinheiro e cuja alcunha era “a Parreirinha”) fizeram com que ficasse para a história como o Assassino do Aqueduto das Águas Livres.

O Pancada escondia-se no aqueduto e assaltava as vítimas entre as 6 e as 22 horas. Depois de lhes roubar dinheiro, atirava-as das arcadas.

Formou um bando de cinco criminosos, com pseudónimos como Beiço Rachado, Pé de Dança, Enterrador e Apalpador. Foi Beiço Rachado quem acabou por ser apanhado e preso, denunciando depois os outros bandidos do gangue, incluindo o cabecilha.

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Diogo Alves foi capturado em 1841 e condenado à morte (terá sido o último em Portugal). A pena para os seus companheiros de crime foi prisão perpétua.

Depois do enforcamento do mais famoso ‘serial-killer’ de Portugal, o médico e professor José Lourenço da Luz Gomes pediu à justiça portuguesa para lhe conceder autorização para decapitar o corpo e estudar a cabeça do Pancada, em busca das possíveis causas da sua crueldade.

A cabeça encontra-se, ainda hoje, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, num frasco de vidro com uma solução de formol.

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A história do Assassino do Aqueduto das Águas Livres inspirou um livro logo no final do século XIX – ‘Os crimes de Diogo Alves’, do jornalista e escritor Francisco Leite Bastos – e um filme mudo em 1911, com o mesmo título.

Mais tarde, já no século XX, a história do assassino do Aqueduto das Águas Livres deu origem a um filme mudo com o título: “Os Crimes de Diogo Alves”.

Com grande publicidade, o filme estreou a 26 de Abril de 1911, no Salão Trindade. Já uns dois anos antes, tinha existido um projecto cinematográfico para um filme com o mesmo nome, mas tinha sido abandonado.

Este filme foi rodado ao longo de três semanas no Aqueduto das Águas Livres e no Hipódromo do Bom Sucesso.

A película de 287 metros foi um sucesso de bilheteira e é hoje o mais antigo filme de ficção com cópia conservada. O filme custou 200 mil réis, o equivalente a cerca de 2500 euros em valores actuais..bigo-assassino-do-aqueduto
Agora, a jornalista Anabela Natário, baseada no processo judicial do Pancada e através da consulta de jornais da época, escreveu o romance ‘O Assassino do Aqueduto’, que mistura realidade e ficção. O livro saiu na sexta-feira, dia 24 de Janeiro, e foi lançado oficialmente no dia 3 de Fevereiro, com apresentação de Vicente Jorge Silva e Maria José Morgado.

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_Lilly_

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