Pensamos porque nascemos, ou porque crescemos?

Um dia destes, a meio de um café com um dos meus melhores amigos, surgiu-nos uma dúvida: será que nascemos totalmente em branco e nos vamos formando ao longo do tempo, por influência externa? Ou será que essa mesma influência externa, apenas molda as características que já nasceram connosco?

Bolas, que grande pergunta! Juro-vos por tudo que era mesmo café que estávamos a beber!

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Platão

Mas querem saber o mais interessante? Não fomos os primeiros a questionar isto, de longe! Ao utilizar os motores de busca disponíveis, dei por mim a “mergulhar” em plena filosofia, que já me tinha deixado de chatear há 11 anos atrás, quando acabei o secundário, e descobri que Platão (nasc. 428 A.C.), apesar de não ser considerado o pai do racionalismo – título atribuído a Descartes, MUITOS anos mais tarde – foi o impulsionador desta corrente filosófica.

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Descartes

Então vamos lá trocar tudo isto por miúdos: o racionalismo defende que a nossa compreensão depende da cabeça, da nossa análise racional. Todo o conhecimento adquirido será através da razão humana, o que já nasce connosco e nos permite criar mecanismos lógicos para atingir uma verdade absoluta. Descartes afirmava que o simples facto de pensar representa uma primeira verdade, ou seja, ninguém nos ensina a pensar, é inato. Daí a frase “penso, logo existo”.

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Aristóteles

Mas, numa surpreendente reviravolta, um dos discípulos de Platão ousou questionar os seus ensinamentos! Falo-vos de Aristóteles (nasc. 384 A.C.) que defendia o conceito de tabula rasa para indicar uma condição em que a consciência é desprovida de qualquer conhecimento inato – tal como uma folha em branco, a ser preenchida.

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John Locke

Já na modernidade, pela mão de John Locke, o conceito será aplicado ao intelecto que fundamenta o empirismo – não existem ideias inatas, sendo que todo o conhecimento se baseia em dados da nossa própria experiência.

O que é que vocês acham?

Será que já nascemos estruturados de uma certa forma a nível intelectual e em conjunto com as nossas experiências de vida, interacções com o exterior e ensinamentos passados por outras pessoas, nos vão moldando no que somos hoje?

Ou será que nascemos completamente em branco e nos tornamos, com o tempo, no resultado de tudo o que nos é mostrado, passado e vivido?

É uma pergunta difícil de responder.

Por um lado, lembro-me logo da minha priminha de 6 anos que toda a gente diz ter certas características herdadas da avó “coisinha mais parecida” – é o que se diz, mas que, ao mesmo tempo, apresenta uma personalidade tão própria, inigualável a qualquer outro membro da família.

Por outro, penso nos criminosos que por aí andam. Por exemplo nos homicidas: muitos já apresentavam estes comportamentos em criança ao mal tratar animais, sem haver qualquer exemplo semelhante no ambiente em que estavam inseridos. “Ele sempre foi assim” – é o que se diz.

Bem, penso que não vamos chegar a nenhuma conclusão. Mas o engraçado deste tipo de conversas não é a conclusão, mas a conversa em si.

Para quem diz que “a juventude está perdida”, aqui vos deixei um exemplo de uma conversa entre dois amigos de 28 e 31 anos.

_Lilly_

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