Blue Jay

12243692_movie-review-blue-jay-is-captivating_8365513_m

Nova entrada na Netflix.

Já andava à espera deste filme há algum tempo, primeiro por ser em tons de cinza (que eu adoro, como já devem ter reparado em posts anteriores) e depois pela sinopse:

“Um casal de ex-namorados encontra-se, 20 anos depois da separação, por acaso, numa mercearia”.

Esta pequena descrição poderá parecer-se com a de um qualquer filme que estreia por volta do dia dos namorados, daqueles que eu não gosto nada, com finais felizes. Mas não.

Jim (Mark Duplass) e Amanda (Sarah Paulson) namoraram na adolescência, naquela fase em que aquele amor é para toda a vida, sabem? Quando se fazem promessas de amor eterno aos 17 anos de idade? Exacto.

Por motivos que não interessam agora para não dar spoil, o amor chegou ao fim e cada um foi para seu lado, perdendo totalmente o contacto um com o outro, até se reencontrarem 24 anos depois.

Os actores captaram tão bem estes momentos que se seguem, fazendo-nos acreditar que o espectador também está a sentir o mesmo desconforto, a mesma alegria dolorosa. Sim, alegria dolorosa, já que a mesma nostalgia que desperta o prazer da reunião origina também a recordação da dor causada pela separação.

Este pequeno momento, transforma-se em horas, já que ambos passam o resto do dia, e boa parte da noite juntos, por entre recordações da adolescência de ambos encontradas na antiga casa da mãe de Jim.

Quem já esteve num relacionamento durante muitos anos, consegue identificar-se com esta história e, sem querer, imagina como seria o seu próprio reencontro com um ex amor. Será que, passados tantos anos, conseguiríamos estar à vontade para falar sobre a nossa vida actual? Afinal todos crescemos, conhecemos novos amores, temos filhos, carreiras profissionais, novos sonhos e desejos, que aquela pessoa desconhece totalmente. Será que nos lembraríamos de alguns pormenores sobre essa pessoa? Como por exemplo, a emoção experimentada por Amanda apenas por perceber que Jim ainda se lembra que as suas gomas favoritas são as rosas e roxas: é uma trivialidade, uma tolice– mas, curiosamente, é isto que torna tão significativo que o ex-namorado ainda se recorde daquilo mais de duas décadas depois. Da mesma forma, há algo de sensual apenas no facto de Amanda conhecer tão bem a casa na qual Jim vivia com a mãe na adolescência; quando caminha com segurança pelos corredores ou manifesta saber como ir sozinha para a varanda, ela está a exibir uma memória sentimental – o resultado de uma intimidade passada que não se apagou totalmente.

Neste aspecto, a força das performances de Sarah Paulson e Mark Duplass reside na maneira como sugerem esta intimidade ao reconhecerem brincadeiras antigas ou ao perceberem como uma carícia está a chegar ao fim apenas pela mudança no padrão dos movimentos da mão do outro.

Vejam o filme, vejam com muita atenção o final, deixou-me completamente sem chão.

_Lilly_

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s