O desejo de ser mãe

Sabem aquelas situações em que só vemos aquilo que queremos, em todo o lado?

Por exemplo, se passar um anúncio na televisão a um automóvel que achamos engraçado, de repente só vemos esse automóvel na estrada.

Pois isto acontece-me com a gravidez.

Num post anterior falei, brevemente, sobre a dificuldade que tenho em engravidar. Tenho dificuldade em ovular, descobri que não faço período de ovulação mensal, como a maioria das mulheres, daí não ter período fértil regular.

É extremamente desgastante… o tempo passa e nada acontece. Os meus meses têm sido reduzidos a uma contagem constante de dias e a um controlo à lupa do momento em que, supostamente, se iniciaria o meu período fértil, na esperança de que seja nesse mês…

Cada vez que a menstruação aparece, sinto-me desolada. Sinto-me tão inútil… Mas porque é que eu não consigo ser como as outras mulheres? Há mulheres que, e passo a expressão, “espirram” e ficam logo grávidas! Eu tinha de ser diferente… até em comparação com as mulheres da minha família, sou a primeira a ter problemas deste género. Mas porquê? Será que nunca vou conseguir realizar o meu sonho de forma natural?

Tudo isto me faz sentir menos mulher.

Toda a gente aconselha a ter calma, a não stressar porque isso não ajuda nada. Mas como é que se faz isso? Como é que não se pensa nisto? É uma luta de há muitos meses! Era a maior alegria da minha vida! Ter um bebé a correr pela casa e a tirar tudo do sítio, poder presenciar o amor que a minha família iria sentir com um novo membro na família… ter alguém que me chame mãe… ver o meu companheiro a tornar-se no melhor pai do mundo (vai ser um pai extremoso, tenho a certeza), poder ensinar e, ao mesmo tempo, aprender tanto sobre a vida e as pessoas através daquela pessoa pequenina que nós criámos… sentir aquele amor de mãe que tantas mulheres descrevem de forma tão bonita, com um brilhozinho nos olhos… realmente não deve haver nada mais bonito neste mundo.

E depois parece que toda a gente engravidou de repente! Passeamos na rua e só vemos pessoas com os bebés dentro dos carrinhos, grávidas, crianças a correr por todo o lado! Há cerca de um mês atrás, uma familiar deu-nos a notícia de que estava à espera de bebé. Disse-nos que nem sequer estava a tentar, engravidou e pronto.

Não me interpretem mal, fiquei extremamente feliz por ela, para além de ser uma pessoa que eu adoro, ter um bebé na família é uma bênção! E aquele bebé vai ser mesmo muito amado. Mas eu fiquei de rastos, chorei tanto que nem sabia que o meu reservatório de lágrimas conseguia comportar assim tantos litros das mesmas. Cheguei a sentir pena de mim própria, aqui estava eu a tentar há tanto tempo, já passaram pelas minhas mãos tantos testes negativos, e esta pessoa engravidou… assim… sem querer. Não achei correcto. “A vida é tão injusta” pensava eu…

Todos os meses são uma luta, mas nós não vamos baixar os braços! Quando fizer 1 ano de tentativas, temos de regressar ao consultório médico para começarmos a pensar em tratamentos que nos ajudem a conseguir realizar este sonho.. e esse dia está a chegar, não tarda nada.

Há que ter esperança, desistir não faz parte de nós.

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2 thoughts on “O desejo de ser mãe

  1. Não é nada fácil passar por esse momento em que estamos a tentar e não acontece. A verdade é que também passei o mesmo… Durante um ano pensei no assunto, tentámos, testes negativos e até consulta no ginecologista e a mesma resposta – “Quando passar 1 ano a tentar então a gente volta a falar”. Frustrante! E eu sou como tu. Menstruação irregular e sempre ouvi que não iria ser fácil para mim. Um diz tive a minha embolia pulmonar e deixei de pensar no assunto. Questionava-me “Para quê criar uma família se posso morrer a qualquer momento? Se a minha saúde não é das melhores e não sei por quanto tempo estarei por perto!”. Passado 2 meses fiquei grávida e só no 4º teste é que deu o positivo. Assustei-me! Acredito que foi o facto de ter estado a tomar medicação para a embolia que balançou o meu corpo e, juntamente, com o facto de pensar no contrário, as coisas aconteceram. Também não percebia como poderia não pensar nisso sabes? Mas é possível. Só tens de te focar a 100% em outra coisa e continuar a tua vida sexual como se nada fosse. As coisas vão se proporcionar só tens mesmo de sentir menos pressão quanto ao assunto. E não pensar que a idade para ser mãe está a ficar curta. Eu fui mãe com 36 anos! E espero um dia ser de novo, mas tenho em mente “se acontecer, acontece e será sempre bem vindo/a”.

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    1. Agradeço-te imenso pelo teu testemunho.
      Realmente há qualquer coisa de maravilhosa quando descobrimos alguém que nos compreende e, felizmente, a tua história teve o final feliz que espero que a minha também tenha.
      Vou tentar descontrair, afinal tens razão, a vida são dois dias, há que ter calma e aproveitar ao máximo.
      Um beijinho!

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