O recomeço

Após a minha separação, dei por mim a questionar o que poderia fazer para me ajudar a mim própria.

Tinha saído de um relacionamento de 7 anos, o primeiro grande relacionamento da minha tenra vida, e pensava que nunca mais iria conseguir estar com outra pessoa.

O meu ex-marido continuava a bombardear-me com a sua presença, fosse por mensagens no Facebook, por SMS, e até mesmo em telefonemas… muitas vezes pensei que nunca me iria “livrar” do meu passado e conseguir seguir com a minha vida.

Houve muita tensão, por essa altura. Cheguei a ouvir (várias vezes!) que eu não soube segurar o meu marido, que ainda era uma miúda que gostava de viver por impulso.

Tal não é verdade. Na realidade demorei 1 ano a questionar se deveria terminar o relacionamento, afinal tinha a minha vida construída ao lado do meu marido: tínhamos a nossa casa, o nosso carro, os nossos belíssimos animais de estimação (um cão e uma gata), tínhamos feito duas grandes viagens ao estrangeiro, onde fomos tão felizes, e estávamos, agora, a pensar em prolongar a família.

Mas eu não era feliz, de todo! Tinha recebido a notícia de que não seria fácil engravidar, uma vez que nem sempre faço ovulação mensalmente… iria ter de recorrer a alguns tratamentos, mais para a frente.

O meu ex-marido não entendia a minha frustração, apenas me dizia que tudo iria ficar bem… mas as palavras não me confortavam… a mim passavam-me a ideia de que, sermos pais, era algo que apenas eu queria, com tanta paixão.

Esta notícia abalou-me imenso e acabou por dar mais força à palavra separação.

O meu ex-marido era uma pessoa calma, inteligente, culta, mas sem personalidade. Todos os passos que dava tinham de ser aprovados por mim. Todas as questões com as quais se debatia tinham de ser solucionadas por mim. Era um sufoco! Finanças, bancos, seguradoras, condomínio, questões com o carro, empregos, tudo passava pelas minhas mãos! “Perdemos” muitas horas de conversa onde eu lhe pedia para agir, para ser mais responsável, para me aligeirar um pouco o peso… em vão… simplesmente não fazia parte dele tomar as rédeas do que fosse.

Como é que eu poderia trazer uma criança para o meio de tudo isto? Eu andava exausta! Para ajudar, a minha ex-sogra fazia-me a vida num inferno! Era uma pessoa super descontrolada financeiramente, e estava, constantemente, a pedir-nos dinheiro (leia-se que esta pessoa tinha mais de 50 anos e estava em casa, sem nenhuma ocupação, por opção própria). Esta situação desgastava-me. Ele nunca me defendia em relação à mãe… cansei!

Deu-se a separação, ao fim de 1 ano de batalha e dúvida. Ele continuava a achar que as minhas razões não eram válidas, que eu fazia sempre uma tempestade num copo de água e que, com o tempo, tudo se iria resolver (outra vez a mesma resposta). Mas não dava mais, eu estava irreconhecível, não tinha interesse por nada, nem por ninguém, tinha, há muito, deixado de fazer certas actividades que outrora me satisfaziam. Sentia-me sozinha. Estava com uma depressão.

Vivi sozinha, na casa que era dos dois, durante 6 meses, eu e os meus animais de estimação. Adorei a experiência! Sentia-me tão bem, tão leve, tão livre, tão “eu”! Até não aguentar mais a pressão financeira, mudei-me para casa dos meus pais, onde vivi, também, 6 meses.

Durante esse período, a última coisa na minha cabeça era namorar, não queria entrar num relacionamento, não queria ter contacto com outro homem, estava muito bem assim. Mas a vida quebra-nos partidas… e eu conheci o homem mais maravilhoso ao cimo da terra. Muito reticente, começámos a namorar… e cá estamos, até hoje.

Pensava que não ia voltar a encontrar a felicidade, que mais ninguém iria gostar de mim (como o meu ex-marido me tinha avisado anteriormente), mas encontrei! Sou tão feliz ao lado do meu actual companheiro.

Eu estava bem sozinha, é um facto. Estar sozinha deu-me oportunidade de me reinventar, de encontrar aquela pessoa que se perdera há tantos anos atrás e, só com essa plenitude, é que consegui entrar num novo relacionamento! A partir do momento que comecei a sentir-me em paz, feliz e completa, a vida presenteou-me desta forma.

Temos de tratar sempre primeiro de nós próprios. Não podemos andar à procura de alguém que o faça por nós. A felicidade não está no outro, a felicidade nasce em nós e pode ser partilhada, seja com um novo amor, com amigos ou com a família.

Partilhem a felicidade e o amor que têm no vosso coração. Vivam em pleno. Puxem os limites. Só assim encontrarão o vosso lugar, dentro de vocês próprios.

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